RESENHA CRITICA

Maria Janaina Alves de Azevedo

Resumo


 

O texto O acolhimento e a Estratégia de Saúde da Família apresentado pela autora Sucupira no livro do médico de família traz como proposta uma mudança no processo de trabalho, buscando intensificar os princípios do SUS através de uma política de humanização da atenção, estabelecendo o acolhimento como parte integrante desse novo modelo de gestão. A autora aponta ainda, sobre a responsabilização das equipes com os usuários, bem como que o sujeito também é corresponsável pelo seu processo de saúde, vindo assim, a contribuir para a implantação de um sistema de saúde com qualidade.

A autora refere que ainda nos dias de hoje o sujeito é percebido somente no âmbito da doença, ou seja, ele não é visto através de um conjunto de interesses e para a ocorrência da renovação do modelo é preciso mudar o foco, passando a vislumbrar o sujeito não só no individual, mais também no coletivo.

Desta forma, a autora aponta o acolhimento como uma possível estratégia no processo de mudança da organização do serviço, uma vez que tal perspectiva aponta para uma lógica de alteração das relações existentes entre profissional de saúde e usuário, e entre os próprios trabalhadores da área, estabelecendo que esse processo deve ser realizado por todos os trabalhadores de saúde e por todos os setores do atendimento ao usuário, resignificando a relação profissional/usuário.

Nessa perspectiva, a autora acrescenta que para a Política Nacional de Humanização o acolhimento é encarado como uma “atitude de inclusão”, ou seja, o processo de acolhida vislumbra atender o usuário em uma perspectiva de resolutividade e responsabilização, buscando estabelecer uma articulação se necessário com outras políticas.

Ainda assim, conforme Sucupira a humanização e o acolhimento na vida diária das unidades de saúde encontram inúmeras dificuldades para execução, já que em muitos casos o acolhimento se confunde com a dialogicidade da triagem, por parte dos profissionais, sendo realizado em uma sala especifica, ou na recepção, com critérios burocráticos e situados na “lamúria” do usuário.

É válido enfatizar que diante da situação, a autora acrescenta que realizar acolhimento em unidade de saúde não pressupõe somente possuir um “ambiente agradável”, embora seja importante, mas que a "postura acolhedora" dos profissionais deve fazer parte das habilidades dos membros das equipes em sua relação com a comunidade, e em todos os momentos da rotina das unidades de saúde, as equipes devem se preparar para utilizar a sua infra-estrutura de forma criativa, garantindo os pressupostos do acolhimento, adequado às realidades locais.

Desta forma, segunda a autora o acolhimento realizado nas unidades de saúde deve ser visto como uma perspectiva do direito a saúde, já que se encontra legitimado através da constituição e é reconhecido como um princípio de universalidade, além da qualidade do atendimento, já que conforme experiência da autora é necessário reformular o processo de trabalho e a organização do serviço.

A autora aponta também que essa avaliação da qualidade do atendimento deve ser discutida com o paciente, ou seja, deve ser construída de forma participativa, já que a atenção recebida durante uma consulta e / ou atendimento recebido pelo usuário é muitas vezes utilizada como “termômetro” de verificação de qualidade de satisfação em relação à qualidade do atendimento.

A autora destaca ainda, a relação dialética existente em relação ao direito do trabalhador de saúde de respeitar o usuário, bem como que também é dever do usuário respeitar o profissional.

Nessa perspectiva é que a autora realiza ênfase a questão da privacidade do usuário no que diz respeito ao sigilo da consulta e/ ou atendimento e em relação ao diagnóstico.

Nesse sentido a autora elenca vários aspectos relevantes para o acolhimento do usuário, destacando para a afirmação de que até os pequenos detalhes fazem a diferença na qualidade da acolhida do usuário, além de destacar que a relação de direitos que baseia o acolhimento, tem de ser debatida por todos os trabalhadores da área e pelos próprios usuários, na intenção de que esses diversos atores possam se implicar no processo de construção do respeito mutuo.

Um outro fator importante segundo a Sucupira, diz respeito as condições de trabalho dos profissionais do sistema de saúde, no qual as problematizações inerentes a prática também repercutem no seu trabalho com os usuários, uma vez que a rotina contribui para distorcer a visão das dificuldades existentes no serviço.

A autora menciona também sobre a importância do papel da escuta e do olhar, já que a comunicação entre profissionais de saúde e cliente (usuário) é encarada de forma frágil, necessitando de uma reavaliação por parte do trabalhador da sua responsabilidade com o trabalho e com o usuário.

Cabe mencionar que a autora elenca diversos problemas na organização de serviço das unidades destacando que em muitos casos na recepção da unidade também funciona concomitantemente o Serviço de Arquivamento Médico e Estatístico – SAME, retirada de prontuário e marcação de consulta, e acrescenta afirmando que diante do estabelecimento de um quadro de tumulto os conflitos ocorrem com frequência.

Por fim, a autora conclui o texto enfatizando que o acolhimento deve fazer parte da consulta e menciona que perceber o usuário como sujeito no seu conjunto tem sido uma das colunas da Clinica Ampliada, em que o profissional deve acolher o individuo buscando entendê-lo além do aparente.

Assim sendo, foi observado que o texto da Sucupira apresentava problematizações acerca do tema proposto, tendo por base um texto descritivo de experiências vividas pela autora, conforme percepções de oficinas de acolhimento que eram realizadas, alcançando repassar as implicações do atendimento com qualidade e uma política de humanização.


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