O desenvolvimento do raciocínio dos alunos de ensino médio através de resoluções de problemas

Elias Galdino Neto, Eline das Flores Victer, Abel Rodolfo Garcia Lozano

Resumo


O projeto mostra-se como proposta para motivar os alunos em relação às resoluções de problemas. Primeiramente, consideramos que o sujeito da pesquisa em questão é o aluno pertencente às escolas públicas em sua visão de mundo e capacidade de abstração. Considerando tal fato, afirmamos que o objeto da pesquisa recai justamente na própria aplicação e elaboração de problemas matemáticos inerentes ao Ensino Médio no Brasil.           As dificuldades apresentadas pelos nossos alunos em relação à resolução de problemas são inquietações para um estudo dos nossos educadores e pesquisadores para conhecer os motivos dessas dificuldades e apresentar caminhos para amenizar tais fatos.  De acordo com os PCN’s de Matemática (BRASIL, 2002), a resolução de problemas possibilita aos alunos mobilizar conhecimentos e desenvolver a capacidade para gerenciar as informações que estão ao seu alcance. Assim, os alunos terão oportunidade de ampliar seus conhecimentos acerca de conceitos e procedimentos matemáticos bem como ampliar a visão que têm dos problemas, da Matemática, do mundo em geral e desenvolver sua autoconfiança.  A atividade de resolver problemas está presente na vida das pessoas, exigindo soluções que muitas vezes requerem estratégias de enfrentamento. O aprendizado de estratégias auxilia o aluno a enfrentar novas situações em outras áreas do conhecimento. Ainda segundo os PCN’s (2002, p. 09), para estar formado para vida é necessário: Saber se informar, comunicar-se, argumentar, compreender e agir; Enfrentar problemas de diferentes naturezas; Participar socialmente, de forma pratica e solidária; Ser capaz de elaborar críticas ou proposta; e, especialmente, adquirir  uma atitude de permanente aprendizado. A respeito do ensino de problemas no Ensino Médio, para alcançar os objetivos estabelecidos de promover as competências gerais e o conhecimento de matemática, a proposta dos PCNEM privilegia o tratamento de situações–problema, preferencialmente tomadas em contexto real. A resolução de problemas é a perspectiva metodológica escolhida nesta proposta e deve ser entendida como a postura de investigação frente a qualquer situação ou fato que possa ser questionado. Segundo Dante (1998), existem diferenças básicas entre exercícios e problemas.  No primeiro, o aluno não precisa decidir sobre o procedimento a ser utilizado para se chegar à solução.  As tarefas em que precisa aplicar uma fórmula logo depois desta ter sido explicada em aula, ou após uma lição na qual ela aparece explicitamente servem para consolidar e automatizar certas técnicas, habilidades e procedimentos necessários para posterior solução de problemas.  A partir da leitura e interpretação dos problemas, é possível o envolvimento do aluno na busca por estratégias de resolução, na persistência em encontrar uma solução, na ampliação e na ressignificação de conceitos e ideias que ele já conhece. Por este motivo, vários autores evidenciaram a importância do uso desta metodologia nas aulas.  Contudo, alguns professores relatam, ao serem indagados sobre os motivos pelos quais não adotam a Metodologia da Resolução de Problemas em sua prática docente, que o tempo da aula é muito curto. Muitos alunos não conseguem interpretar os desafios e existem grande números de alunos com defasagem das séries anteriores, o que inviabiliza a realização das tarefas.  Muitos professores não conhecem a Metodologia da Resolução de Problemas e daí não sabem como trabalhar com esta metodologia.  Muitos ainda insistem em trabalhar de maneira tradicional, por isso não se preocupam e preparar as aulas de forma a proporcionar aos alunos uma interação, questionamentos, discussões.             Vygotsky (1999) destaca que a escola, ao ofertar conteúdos e desenvolver modalidades de pensamentos específicos, exerce um papel diferente e insubstituível na apropriação do conhecimento pelo sujeito. Durante uma série de investigações realizadas sobre o processo de formação dos conceitos, Vygotsky destaca a importância do papel do problema nesse processo. A solução de um problema não é destacada por Vygotsky como uma categoria conceitual, mas é utilizada em vários métodos de investigação sobre a formação de conceitos e parece desempenhar um papel importante no desenvolvimento do processo de como se estabelece um conceito. Também Breuckmann (1998) contribui dizendo que um conceito não se forma ao acaso, pois existe sempre uma situação provocadora, que garante ao mesmo uma finalidade.             George Polya apresenta uma heurística particular de resolução de problemas. Ele  considera a Matemática uma “ciência observacional” na qual a observação e a analogia desempenham um papel fundamental. Procurando organizar um pouco o processo de resolução de problemas, Polya (1995) o dividiu em quatro etapas: entendimento do problema, invenção de estratégia de resolução, execução e revisão. A revisão da solução é a etapa mais importante segundo Polya, pois esta etapa propicia uma depuração e uma abstração da solução do problema.             Uma das características primordiais que tratam as mudanças educacionais e estimulam diferentes pesquisas em educação baseiam-se no fato de se buscar desenvolver nos alunos a capacidade de aprender a aprender.  Nem sempre se prestigia o conhecimento que o aluno carrega consigo e que serve de ponto de partida para o conhecimento novo. O desafio do processo educativo recai exatamente no fato de se construir condições do aprender a aprender e do saber pensar.  Nas diversas áreas e etapas da educação podemos observar a necessidade de que alunos adquiram habilidades e estratégias que lhes proporcionem a apreensão, por si mesmos, de novos conhecimentos e não apenas a obtenção de conhecimentos prontos e acabados que fazem parte da nossa cultura, ciência e sociedade. 

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