EDITORIAL

Luiz Gustavo Barbosa

Resumo


Lidar com a complexidade, estudar as mudanças crescentes na economia moderna e analisar tendências são definitivamente as tarefas do Observatório de Inovação do Turismo.

Nesse contexto, nasce a Revista Acadêmica Observatório de Inovação do Turismo, com o objetivo de empreender uma revisão conceitual constante das teorias que compõem e tangenciam a atividade turística, além de obter interpretações e análises atualizadas das realidades que lidamos no turismo mundial.

Nessa difícil tarefa contamos com o apoio da Embratur, que passou a atuar como autarquia responsável pela divulgação e comercialização do Brasil no exterior. Vale destacar também que o trabalho desenvolvido pelo Departamento de Estudos e Pesquisas dessa entidade foi ampliado. Além das pesquisas desenvolvidas tradicionalmente e de novas pesquisas, a criação de uma estrutura para abrigar um banco de dados, com monografias, dissertações e teses, é justificada pela preocupação com a produção de conhecimento científico relevante para a área de turismo.

Ressaltamos ainda o inestimável apoio da CNC, SESC e SENAC para realização do Observatório de Inovação do Turismo presencial, uma iniciativa conjunta que não trata apenas da disseminação do conhecimento, e sim da reflexão continuada de um grupo de especialistas.

Dentro desse contexto, a EBAPE-FGV, pela sua experiência e tradição nas áreas de ensino e pesquisa no Brasil, e pela importância do trabalho desenvolvido na área de turismo, é convidada a refletir junto com a Embratur, sobre a concepção de uma revista que tenha por objetivo estimular a produção acadêmica para o setor de turismo.

A revista está estruturada em três seções: artigos, estudos de caso e ensaios teóricos; resenhas de livros; e entrevista.

Nessa primeira edição, o Sr. Eduardo Sanovicz, presidente da Embratur, nos fala sobre sua experiência profissional e como suas atividades de gestor à frente de duas grandes organizações contribuíram para a missão de comandar a mudança de foco do trabalho desenvolvido pela Embratur. Com a atribuição de promover o Brasil no exterior, Eduardo discorre sobre a adoção de algumas estratégias, tais como a aposta no segmento de eventos e a reavaliação do modelo dos Escritórios Brasileiros de Turismo – EBTs. Sanovicz também fala dos resultados do Plano Aquarela e seus desdobramentos e faz uma análise sobre as tendências para o setor no Brasil nos próximos anos.

Stephen Wanhill e Isobel O’Neil estréiam a área de artigos internacionais.

Stephen discute a natureza da competição no setor de atrações. Utilizando abordagens tradicionais e modernas, o autor aborda os distintos padrões de propriedade (ownership) que coexistem e ditam as condutas e desempenho no setor, procurando estabelecer relações que reflitam a imagem das atrações bem sucedidas.

O interesse dos britânicos pela cultura brasileira parece se refletir nas preferências deles pelo Brasil como destino turístico. Essa é o ponto de partida de Isobel O’Neil, que escreve sobre uma pesquisa feita com turistas britânicos no Brasil. A despeito da violência contra turistas veiculada na mídia, a autora constatou em sua pesquisa que o turista leva uma impressão melhor do Brasil após sua visita.

Wilson Rabahy disserta sobre os impactos que as atividades do turismo exercem na economia, examinando a evolução dos mercados do ponto de vista dos seus principais centros emissores e receptores. Segundo a análise realizada pelo autor, as tendências de expansão das distâncias médias das viagens favorecem o Brasil enquanto destino turístico.

O campo do turismo no Recife é objeto de estudo de Marcelo Milano e Luciana Holanda, que por meio da teoria institucional, descrevem o processo de formação do campo do turismo na cidade do Recife, analisando seu histórico, principais atores e grau de institucionalização.

O artigo sobre o Boletim de Desempenho Econômico do Turismo, escrito por Adonai Teles, apresenta o processo de confecção, execução e aprimoramento da pesquisa eletrônica, e permite que o leitor aprofunde seu conhecimento sobre os aspectos relevantes da teoria e prática da adoção de tecnologias como veículo de pesquisa em ciências sociais.

Guilherme Lohmann explora a bibliografia sobre canais de distribuição em turismo, analisando 43 artigos científicos sobre o tema e classificando-os por diversas variáveis. As conclusões estão relacionadas aos tipos de pesquisas que vêm sendo realizadas e como é a relação entre distribuidores, fornecedores e destinos turísticos.

Os sistemas produtivos locais em turismo, assunto que tem despertado o interesse de muitos pesquisadores, são o objeto de estudo de Helena Costa e Alice Souto-Maior. O artigo tem como objetivos discutir a cooperação e a competição como relacionamentos estratégicos nos sistemas de turismo e compreender os sistemas produtivos locais como modelos organizacionais alternativos, a fim de gerar maior competitividade para os destinos turísticos.

Gostaria de registrar a satisfação pela confiança depositada pela equipe da Embratur, que nos apoiou em todas as etapas desse projeto, assim como todos os profissionais da Fundação Getulio Vargas que estiveram envolvidos com a concepção e planejamento da revista. Gostaria de agradecer, particularmente, ao professor Bianor Scelza Cavalcanti, Diretor da EBAPE, à professora Deborah Moraes Zouain, Chefe do Centro de Formação Acadêmica e Pesquisa da EBAPE, ao Sr. José Francisco de Salles Lopes, diretor de estudos e pesquisas da Embratur, ao professor Stephen Wanhill, da Universidsade de Nottingham e ao professor Wilson Rabahy, que fazem parte do conselho técnico-científico dessa revista.

Aos professores das diversas instituições de ensino brasileiras e estrangeiras, que aceitaram o convite para compor o Corpo de Referees e aos autores dos artigos que compõem este primeiro número, um especial agradecimento.

Desejo a todos uma boa leitura!


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