O PAPEL ANJOS DA ENFERMAGEM DE PERNAMBUCO COMO FERRAMENTA ESSENCIAL NA HUMANIZAÇÃO E RESPONSABILIDADE SOCIAL

Liniker Scolfild Rodrigues da Silva, Nathália da Silva Correia, Selena Maria dos Santos Cavalcanti

Resumo


Introdução:Há 10 anos o Instituto Anjos da Enfermagem (IAE) atua na Região do Cariri, procurando, através do lúdico, levar alegria e educação para crianças hospitalizadas em tratamento de câncer. A ONG conta com o apoio do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), dos Conselhos Regionais de Enfermagem de cada estado onde atua, além de instituições de nível superior, atendendo a crianças em todo o país. A iniciativa surgiu quando a então estudante de enfermagem, Jakeline Duarte, leu o livro “Terapia do Amor”, que conta a trajetória de um médico norte-americano, Dr. Hunter Adams, mais conhecido como Patch Adams. Que após uma tentativa de suicídio e voluntariamente ser internado em um hospital psiquiátrico, Hunter “Patch” Adams descobre um belo dom de poder ajudar as pessoas usando o bom humor. Dois anos depois, Patch entra em uma universidade de medicina para se formar como um respeitável médico e ajudar o mundo colocando alegria no coração de seus pacientes. Em uma classe cheia, com pessoas desconfiando de suas notas e julgando mal seu modo de alegrar os doentes, Patch vai lutar contra um desafio, mas com isso vai pôr uma mensagem dentro da universidade que não só contagiará de alegria seus amigos, como também o mundo todo, pois ele provará que o amor é contagioso. Inspirada pela história e com a ajuda de um grupo de voluntários, ela criou o projeto Anjos da Enfermagem (AE), que, em pouco mais de um ano, tornou-se instituto. Hoje, presente em 18 estados brasileiros, o IAE possui parceria com 23 universidades e 21 instituições hospitalares, e figura como o maior projeto de responsabilidade social da enfermagem brasileira. O IAE funciona a partir das doações de pessoas e empresas, bem como das campanhas de arrecadação, mobilização e participação realizadas durante o ano (INSTITUTO ANJOS DA ENFERMAGEM, 2012). Os AE levam a cada visita hospitalar uma tentativa de transformar o ambiente de tristeza e dor em alegria, através de atividades lúdicas, jogos e a elaboração psíquica de vivências do cotidiano. As atividades lúdicas fazem com que as crianças reproduzam/transformem o real de acordo com o seu próprio desejo, proporcionando experiências de tal maneira que elas adquiram conhecimento. Portanto, é válido afirmar que por meio das atividades lúdicas, a criança expressa, assimila e constrói a sua realidade. As atividades lúdico-educativas tem sido objeto de transformação na vida de indivíduos doentes. O lúdico não cura o paciente, mas proporciona grandes melhoras, ajudando no enfrentamento da doença. Sendo assim, é válido afirmar que a criança, por meio das atividades lúdicas, passa a interagir com o meio e nesse sentido, desenvolverá sua função social (ANGELI, et al., 2012). Partindo-se desse pressuposto, a atividade lúdica promove fatores significativos para o desenvolvimento psicomotor, cognitivo, social e afetivo da criança, proporcionando um tratamento humanizado, que tem sido objetivo de transformação na vida destas, proporcionadas pelos AE. Objetivos: Refletir como as ações do brincar, enquanto arte, possibilitam e diminuem a dor, a tristeza e medo contribuindo para minimizar traumas da doença e/ou hospitalização, utilizando princípios lúdicos. Método: Trata-se de um relato de experiência, com base nas vivências e atuação dos AE do núcleo Pernambuco, que atuam no projeto voluntário sem fins lucrativos pelo COFEN/COREN-PE, realizado no Hospital Universitário Oswaldo Cruz- HUOC, na cidade do Recife com crianças internas no setor de oncologia. Resultados e Discussão: Os resultados apontam, para o desafio em reinventar o ambiente hospitalar utilizando o lúdico para promover o desenvolvimento global da criança, como atividade, a dramatização de papéis, possibilitando o diagnóstico do conflito em que a criança está inserida. Dentre as possíveis estratégias de atuação do grupo AE para estas crianças, utilizam-se: a brinquedoteca e a musicoterapia, além de atividades direcionadas como arte em balões, mágicas, desenhos e leituras no qual as crianças diminuem a ansiedade pela catarse emocional. Além disso, durante o trabalho, o grupo de acadêmicos de enfermagem dos AE, vem observando o fortalecimento das redes de apoio a crianças com câncer e humanização em saúde, assim como também fornecendo subsídios para profissionais da saúde no atendimento infantil. Observou-se a importância da interação família/paciente/profissionais para a manutenção do bem-estar biopsicossocial e também para o sucesso do tratamento dos pacientes pelo qual se encontram hospitalizados e onde os AE fazem a intervenção lúdica a partir da recreação terapêutica é entendida como restabelecimento, restauração, recuperação. Apontando ainda que, apesar do lidar com a hospitalização infantil, e todos os problemas acarretados por ela ser doloroso, a experiência vivenciada pelos voluntários é única e acarreta amadurecimento profissional e pessoal. E entendemos que deve-se capacitar os grupos acerca da arte terapia, humanização da saúde e responsabilidade social; fortalecer e consolidar a enfermagem como parte principal e atuante na construção de uma equipe de trabalhadores de saúde mais humanos e socialmente responsáveis; sensibilização dos estudantes de enfermagem para prática de uma enfermagem mais ética, solidária e unida e contribuir com a formação de políticas públicas que melhorem a atenção dada às crianças com câncer e seus familiares.Apesar de os profissionais de enfermagem estarem acostumados a lidar com a vinda e com a morte no cotidiano, quando esta relaciona-se à criança com câncer. A assistência para com o paciente, deve ser efetive, pois, os paradigmas relacionados com a morte não devem interferir no cuidado prestado, por isso, enquanto há vida, as necessidades humanas básicas devem ser atendidas (SVAVARSDOTTIR, et al., 2013). Na perspectiva dos profissionais de saúde, a equipe de enfermagem deve trabalhar com o lúdico como um aliado no seu fazer diário, entendendo que tal ferramenta se apresenta como um recurso relevante no desenvolvimento de uma assistência de enfermagem de qualidade junto ao cliente. O lúdico transforma o ambiente hospitalar e preenche uma lacuna entre a criança, sua família e a equipe de saúde, aliviando o estresse e a ansiedade, auxiliando a criança a passar por sentimentos dolorosos (MARCHI, et al., 2013). Vimos que a enfermagem tem um papel de suma importância com esses pacientes, pois é ela que dá uma maior assistência aos mesmos. Através do lúdico a equipe de enfermagem tem uma relação mais íntima com a criança, podendo assim descobrir seus medos, angústias, traumas e frustrações (AZEVEDO, et al., 2012). É a partir daí que surge o principal papel social do enfermeiro: conhecer e, através da humanização, restabelecer uma situação de harmonia e esperança a essas crianças que tanto precisam de atenção e amor. Pois é nessa fase que elas começam a relacionar tudo o que acontece ao redor com seus sentimentos e ações. Conclusão: Identificou-se que a hospitalização é uma situação estressante na vida de qualquer ser humano, e na criança a situação torna-se ainda mais delicada devido ao ambiente hostil, tendo os familiares como aliados. Sendo assim, observando o lúdico como estratégia fundamentada e construída pelos AE decorrente das estratégias técnicas acolhedoras e humanizadas visando a melhoria na qualidade de vida e do bem-estar, que integram e consolidam o aprendizado dos acadêmicos no fortalecimento de uma formação mais humana e eticamente comprometida. Tem sido importante o conceito de humanização para todos estes integrantes que compõem o cuidar, pois ultrapassam os significados do ambiente hospitalar. Para a enfermagem e os acadêmicos, o que fica não é só as experiências vividas, mas as marcas de todos, talvez um importante fortalecedor e inovador dispositivo utilizado para a ampliação do conceito de humanização e responsabilidade social. A atividade lúdica surge como um instrumento de comunicação entre a equipe de enfermagem e as crianças hospitalizadas. Acredita-se que através dessas atividades haja uma melhora significativa nas condições de saúde-doença-cuidado, além da devolução da condição de atividade, integrando a experiência de estar no hospital como parte da vivência da criança, minimizando os impactos causados pela internação, desenvolvimento e trocas sociais.Desta forma, com base no que foi vivenciado durante este período de voluntariado dos Anjos da Enfermagem, subtende-se que é de extrema importância a humanização destas crianças, levando carinho, alegria, amor, segurança como forma de promoção do bem estar, a fim de amenizar o sentimento de ansiedade, tristeza e dor, demostrados por estas crianças. É desta forma que atuam os “AE”, articulando ações que promovam o exercício da cidadania dos estudantes e profissionais de enfermagem através da formação de grupos de voluntários, estudantes de enfermagem, para visitação de hospitais, com o objetivo de aliviar a dor e o sofrimento de crianças com câncer, capacitando os grupos acerca da ludoterapia, humanização da saúde e responsabilidade social.

 

Descritores: voluntários; responsabilidade social; enfermagem oncológica. 

                                                                                                                              

REFRÊNCIAS

 

1 ANGELI, Andrea do Amparo Carotta de; LUVIZARO, Nathália Azevedo; GALHEIGO, Sandra Maria. O cotidiano, o lúdico e as redes relacionais: a artesania do cuidar em terapia ocupacional no hospital. Interface - COMUNICAÇÃO SAÚDE EDUCAÇÃO. v. 16. n. 40. p. 261-271. 2012. p. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/icse/v16n40/aop1612.pdf> Acesso em: 13 mar. 2014, 14:35:15.

 

2 AZEVEDO, Maria Coeli Cardoso Viana; LIMA, Kálya Yasmine Nunes de; SANTOS, Ana Dulce Batista dos; MONTEIRO, Akemi Iwata. Atuação das equipes da atenção primária na identificação precoce do câncer infanto-juvenil. R. pesq.: cuid. fundam. v. 4. n. 3. p. 2692-2701. Rio de Janeiro: 2012. Disponível em: <http://www.seer.unirio.br/index.php/cuidadofundamental/article/view/1863/pdf_609> Acesso em: 10 mar. 2014, 00:15:34.

 

3 INSTITUTO ANJOS DA ENFERMAGEM. Regulamento Interno 2012. Anjos da Enfermagem: educação em saúde através do lúdico. Ceará. 2012.

 

4 MARCHI, Joisy Aparecida; WAKIUCHI Julia; SALES, Catarina Aparecida; MATHIAS, Thais Aidar de Freitas; FERNANDES, Carlos Alexandre Molena. Câncer Infanto Juvenil: Perfil de Óbitos. Rev Rene. v. 14. n. 4. p. 911-919. Fortaleza: 2013. Disponível em: <http://www.revistarene.ufc.br/revista/index.php/revista/article/view/1237/pdf> Acesso em: 10 mar. 2014, 14:29:35.


5 SVAVARSDOTTIR, Erla Kolbrun, RN PhD; SIGURDARDOTTIR, Anna Olafia, RN, MSN.Benefits of a Brief Therapeutic Conversation Intervention for Families of Children and Adolescents in Active Cancer Treatment.Oncology Nursing Forum. v. 40. n. 5. 2013. Disponível em: <http://ons.metapress.com/content/51p2576q51n87242/> Acesso em: 10 mar. 20:19:32.


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