Uma análise filosófica acerca da percepção na obra Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago.

Bernardo Antonio Gasparotto, Robert Thomas Georg Wurmli

Resumo


O ser humano é naturalmente bom? Dadas às oportunidades, o caminho seguido pelo humano será sempre aquele que levará à “Iluminação”? Ainda, qual seria este caminho e o que realmente pode ser considerado como universalmente bom? Tais perguntas há muito fazem parte do imaginário dos intelectuais, e ainda assim não foram respondidas de maneira suficientemente adequada. O que se nota, no entanto, é que as forças de poder, criadas pelo próprio humano, auxiliam na segregação deste e na constante submissão de determinados grupos às vontades de outros. As instituições, como o Estado e suas subdivisões, promovem de diversas maneiras a diminuição do ser humano. No entanto, tais instituições são construtos humanos e, logo, deveriam estar subjugadas a estes, ao invés do contrário. Inconscientemente, a humanidade aparenta ter esquecido deste fato. Um dos únicos momentos nos quais é possível ver o homem retornar a seu modo “primitivo”, liberto de instituições e dogmas socialmente construídos, é quando sua sobrevivência está em risco, e classes sociais hierárquicas não mais importam para que este se mantenha vivo. Assim, este trabalho busca trabalhar algumas destas questões, por meio de contribuições de diversos filósofos, tendo como foco principal de análise a obra Ensaio Sobre a Cegueira (1995), escrita por José Saramago. O artigo busca demonstrar como a percepção se torna uma arma de poder, quando todas as instituições e formas hierárquicas sociais são destituídas de seu poder, caso que ocorre no romance, uma vez que a cegueira afeta a todos, indiscriminadamente de quem estes sejam.

Palavras-chave


Ensaio Sobre a Cegueira (1995); Percepção; Poder.

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