PERCEPÇÃO DE STAKEHOLDERS SOBRE O TURISMO DE WHALE WATCHING NO SUDESTE DO BRASIL: DESAFIOS, INCLUSÃO E GOVERNANÇA

Autores

  • Pilsen Ca'lía da Costa Peterle Universidade Federal do Espírito Santo
  • Rafael Granvilla de Oliveira Gerência de Estudos e Negócios, Secretaria de Estado de Turismo do Espírito Santo; Grupo de Pesquisa Ecologia Humana do Oceano, Laboratório de Oceanografia Socioambiental, Departamento de Oceanografia e Ecologia – Universidade Federal do Espírito Santo/UFES, Brasil
  • Camilah Antunes Zappes Programa de Pós-Graduação em Oceanografia Ambiental, Centro de Ciências Humanas e Naturais; Grupo de Pesquisa Ecologia Humana do Oceano, Laboratório de Oceanografia Socioambiental, Departamento de Oceanografia e Ecologia – Universidade Federal do Espírito Santo/UFES, Brasil

Palavras-chave:

Economia do Mar, Ecoturismo, Megaptera novaeangliae

Resumo

O turismo de observação de baleias tem apresentado crescimento no Espírito Santo (ES), associado ao aumento das populações de jubarte (Megaptera novaeangliae), mas há escassez de estudos locais que analisem seus desdobramentos socioambientais. Este estudo investigou a percepção de 36 stakeholders (gestores públicos, representantes do setor privado e de organizações da sociedade civil) por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas entre junho de 2023 e fevereiro de 2024. Os resultados apontam concentração da atividade entre julho e novembro e identificam como principais desafios: ausência de regulamentação específica, infraestrutura inadequada, baixa visibilidade e falta de políticas inclusivas para pessoas com deficiência, que restringem o acesso e agravam processos de exclusão social. Entre os benefícios reconhecidos estão o fortalecimento do turismo regional, geração de emprego e renda e maior sensibilização ambiental da população. Discute-se a necessidade de um marco regulatório preventivo, gestão integrada público–privada–social, programas contínuos de capacitação e adaptações infraestruturais para garantir inclusão e reduzir riscos à população de M. novaeangliae. Conclui-se que tais medidas são essenciais para orientar um turismo ambientalmente sustentável e socialmente equitativo no ES.

Biografia do Autor

Rafael Granvilla de Oliveira, Gerência de Estudos e Negócios, Secretaria de Estado de Turismo do Espírito Santo; Grupo de Pesquisa Ecologia Humana do Oceano, Laboratório de Oceanografia Socioambiental, Departamento de Oceanografia e Ecologia – Universidade Federal do Espírito Santo/UFES, Brasil

Turismólogo, Mestre em Gestão Pública. Especialista em Desenvolvimento Humano,
Social; Gerente de Estudos e Negócios Turísticos da Secretaria de Estado do Turismo
do Espírito Santo.

Camilah Antunes Zappes, Programa de Pós-Graduação em Oceanografia Ambiental, Centro de Ciências Humanas e Naturais; Grupo de Pesquisa Ecologia Humana do Oceano, Laboratório de Oceanografia Socioambiental, Departamento de Oceanografia e Ecologia – Universidade Federal do Espírito Santo/UFES, Brasil

Doutora em Ecologia, professora da Universidade Federal do Espírito Santo. Bolsista
Produtividade CNPq. Experiência nas temáticas de Oceanografia Socioambiental,
Economia Azul, Ecologia Humana, Etnobiologia, Etnoecologia.

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Publicado

2025-12-16

Como Citar

da Costa Peterle, P. C., Granvilla de Oliveira, R., & Antunes Zappes, C. (2025). PERCEPÇÃO DE STAKEHOLDERS SOBRE O TURISMO DE WHALE WATCHING NO SUDESTE DO BRASIL: DESAFIOS, INCLUSÃO E GOVERNANÇA. Almanaque Multidisciplinar De Pesquisa, 14(2). Recuperado de https://publicacoes.unigranrio.edu.br/amp/article/view/9506