Afro-chilenos: A produção Política nas leis e a Cultural na dança em busca de reconhecimento.

Nestor Gomes Mora

Resumo


O presente trabalho busca analisar o processo de resgate à identidade étnica da comunidade afro-chilena. O reconhecimento pela sua etnicidade se dá primeiramente pelo resgate da cultura, tradição e costumes uma vez ocultadas pelo fenômeno reconhecido como chilenización, período marcante na história do país ocorrido nas primeiras décadas do século passado, e que determinou novas fronteiras étnicas e geográficas na região de Arica, norte do Chile. Tal processo tratou de reinventar a cultura nacional sedimentando seus elementos culturais legitimados pela colonialidade e contrariando os elementos interditos, nos quais se enquadrava a cultura afro-chilena. Com efeito, essa reinvenção da nacionalidade terminou por ocultar os antigos costumes da população afrochilena.

Hoje a Ong Oro Negro e a Associação de Afrodescendentes Lumbanga são as principais referências que atuam em duas frentes pelo reconhecimento da sua etnicidade: A primeira é movida por uma frente política através da qual ocorre a negociação perante o estado-nação. Requisita-se, em primeira instância, a inserção da variável afrodescendente no próximo censo demográfico a ser realizado em 2012, a fim de quantificar a população negra no país até agora indeterminada. Já a segunda frente é a cultural na qual desenvolve-se novos projetos pelo resgate dos antigos costumes afro-chilenos como a comida, os modos de saber, os antigos vocábulos e, principalmente, o baile tumba. Este último tem sido o principal instrumento cultural de re-afirmação da identidade étnica chilena já que seu cenário principal é a rua, considerado o melhor espaço público para a superação das desigualdades.


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