Geografia da Religião: Uma contribuição de abordagem através das práticas espaciais de Intolerância Religiosa na urbanidade carioca.

Rachel Cabral da Silva

Resumo


A abordagem deste artigo centra-se na Geografia da Religião tendo como objetivo geral compreender os conflitos religiosos entre neopentecostais e de matrizes africana, a produção de espaços construídos através da reação das práticas de intolerância religiosa e de disputa espacial dentro dos sistemas de significações concretos destas religiões na urbanidade carioca. A finalidade do trabalho é: de compreender a temática da religião afro-brasileira como forma de resistência cultural negra na dinâmica urbana; identificar a formações de redes de movimentos sociais (ONGs), que tem o propósito garantir o exercício dos direitos humanos fundamentais dos segmentos religiosos, quanto à liberdade e à supressão da intolerância religiosa no que diz respeito a religiões minoritárias e a cultos afro-brasileiros; analisar pontos de tensão no que tange as relações conflituosas religiosas entre Terreiro e Vizinhança/Igreja Neopentecostal; e finalmente explicar os processos de subalternização, os mecanismos sistemáticos de opressão das religiosidades afro-brasileiras na urbanidade do Rio de Janeiro. 

A religião é vista neste trabalho como um conjunto de sistema de significações, incluindo os modelos de comportamento humano e espacial que delas decorrem. Os fenômenos religiosos são as manifestações concretas deste sistema. Estas duas práticas sociais se fundem através da dimensão espacial, já que a primeira analisa o espaço e a segunda ocorre espacialmente, como um fenômeno cultural (ROSENDAHL, 2002).

A disputa de fiéis passa pela modificação do significado para proliferação da intolerância e do preconceito no imaginário coletivo, um recurso estratégico no esforço de conquistar novos membros. O motivo desta intolerância religiosa está centrado também no racismo histórico, o qual ainda está enraizado na mentalidade dos brasileiros, o que traz idéia da falsa cidadania. Este tipo de pensamento eurocêntrico impede que venham à tona os lados perversos do nosso padrão de relações raciais sejam revelados e/ou percebidos. Há poucas contribuições de estudos geográficos que permitem uma fundamentação metodológica a respeito da Geografia da Religião, o que permite a (o) pesquisadora explorar o fenômeno religioso a partir de diferentes abordagens, assim é uma forma ampliar a criatividade na Geografia, bem como enfrentar a indiferença social, a notória invisibilidade que as religiosidades afro-brasileiras sofrem.

 

 


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