Henry Ibsen e Nelson Rodrigues: dois dramaturgos e o mar no meio

Carlinda Fragale Pate Nuñez

Resumo


Nas últimas quatro décadas, teóricos da literatura (Ricoeur e Barthes), filósofos sociais (Foucault) e geógrafos culturais (Sauer, Cosgrove e Duncan) adotaram a noção de paisagem como categoria interdisciplinar decisiva para lidar com questões sobre identidade e sua compreensão antropológica.  Paisagens reais, tanto quanto as imaginadas mimetizam desejos individuais e tensões sociais, rituais de socialização e sua contestação, vivências subjetivas e mensagens do imaginário ancestral que se materializam espacialmente.  À margem da discussão epistemológica que a abordagem contemporânea da paisagem oferece, dramaturgos antigos e atuais souberam explorar a fecundidade heurística das paisagens ficcionais.  Focalizaremos neste ensaio uma paisagem específica – o mar, em  The Lady from the Sea (1888), de Ibsen, e Senhora dos afogados (1947), de Nelson Rodrigues, destacando a rentabilidade estética do que nelas há em comum: a representação do insólito.  Três subtemas emergem, no contexto dessa discussão : o estrangeiro, a função meta-artística da teatralidade  e a percepção sublime. In the last four decades , literary theoreticians (Ricoeur and Barthes), social philosophers (Foucault) and cultural geographers (Carl Sauer, Denis Cosgrove and James Duncan, among others) adopted  landscape as a decisive interdisciplinary category in dealing with identity and its anthropological grasp.  Real landscapes as well as fiction ones “mimetize” hidden desires and social tensions, rituals of socialization and their contestation, dimensions of subjetivity and messages from imagination, spacially materialized.   Aside the epistemolgical debate increased by contemporary approach of landscape, old and recent playwriters succeeded in the exploration of fictional landscapes’ heuristic fertility.

This essay will foccus on one specific landscape – the sea, in Ibsen’s  The Lady from the Sea (1888), and  Nelson Rodrigues’ Senhora dos afogados (Lady of the Drowned, 1947), emphacysing what is common in both: the esthetical representation of insolit. 


Palavras-chave


Paisagens, teoria da literatura, Nelson Rodrigues

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