A CINCO GRAUS DE DISTÂNCIA DA VERDADE: REFLEXÕES SOBRE A METODOLOGIA DA PESQUISA E ENSINO DE LITERATURA

Rochele Moura Prass, Marinês Andrea Kunz

Resumo


Em um cenário no qual pairam incertezas sobre a pesquisa no País, pensar sobre o modus operandi das investigações em literatura leva a ponderações sobre os benefícios sociais da tarefa. Há, na jornada dessas reflexões, a própria natureza do objeto de pesquisa: o texto literário. Manifestação humana, liga-se à cultura e revela faces subjetivas, se não do ato da escrita, do ato interpretativo da leitura. Assim, este escrito se propõe a problematizar a metodologia da pesquisa e ensino de literatura, apresentando instrumento para geração de hipóteses de leitura para Capitães da Areia. Trata-se de mostrar, na qualidade de resultados parciais, como estão construídos os raciocínios interpretativos da obra, no contexto da pesquisa sobre a representação da violência na interface discurso-personagem dessa narrativa de Jorge Amado. Para tanto, busca-se no pensamento de Platão, nos pontos em que desconstrói a relevância da literatura, a reconstrução do fazer metodológico científico aplicado ao gênero. Nessa composição, criam-se diálogos entre textos de pensadores dedicados à literatura, linguagem e Ciências Sociais. Entende-se que o fato literário, mesmo sob o escrutínio do método, não se presta ao rigor. O texto, artístico ou científico, é um objeto que muda de face a cada novo ato de leitura, reverberando no modo como a sociedade olha para as suas próprias manifestações. Assim, entende-se, o rigor do método em literatura não pode ser alcançado pelo índice de veracidade dos resultados, e sim pela apresentação do fluxo das subjetividades que geram hipóteses interpretativas num diálogo com diversos elementos da cultura.

Palavras-chave


Literatura. Metodologia de análise. Estética da Recepção.

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