ATENDENTE TERAPÊUTICO E MEDIADOR ESCOLAR: FUNÇÕES, LIMITES E IMPACTOS NA INCLUSÃO EDUCACIONAL

Autores

  • Simone Maia Guerra Afya - UNIGRANRIO

Palavras-chave:

Inclusão Escolar, Atendente terapêutico, Mediador escolar, Intersetorialidade, Políticas Públicas.

Resumo

O artigo analisa, em perspectiva teórico-analítica, as funções, limites e impactos do Atendente Terapêutico (AT) e do Mediador Escolar na inclusão Educacional Brasileira. Com base em revisão bibliográfica e análise normativa (CF/1988, LDB/1996, PNEEPEI/2008, LBI/2015 e Lei 12.764/2012), discute-se a emergência e a sobreposição desses papéis no cotidiano escolar, evidenciando tensões entre educação e saúde. Argumenta-se que a indefinição de atribuições, somada à precarização contratual e à ausência de formação continuada e de protocolos intersetoriais, produz uma “inclusão improvisada” e burocratizada: o apoio individual substitui o planejamento pedagógico coletivo, reduzindo a participação efetiva dos estudantes público-alvo da educação especial. A partir de autoras(es) como Glat, Mantoan, Carvalho, Freire e Boaventura de Sousa Santos, sustenta-se que a inclusão requer reestruturação institucional, ética do cuidado compartilhado e ecologia de saberes que valorize conhecimentos pedagógicos, comunitários e clínicos de forma complementar. Conclui-se pela necessidade de regulamentação clara das funções, fortalecimento das redes colaborativas e gestão intersetorial Educação–Saúde–Assistência, de modo a transformar presença em participação e improviso em planejamento, assegurando o direito à educação com qualidade social.

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Publicado

2026-01-21

Como Citar

Maia Guerra, S. (2026). ATENDENTE TERAPÊUTICO E MEDIADOR ESCOLAR: FUNÇÕES, LIMITES E IMPACTOS NA INCLUSÃO EDUCACIONAL. Revista Magistro, 2(32), 14–32. Recuperado de https://publicacoes.unigranrio.edu.br/magistro/article/view/9570

Edição

Seção

Artigos