REZANDO PELA CARTILHA FREUDIANA: A FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE POR INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS
Palavras-chave:
Psicanálise, Instituições religiosas, FormaçãoResumo
A relação entre instituições religiosas e a formação em psicanálise constitui um fenômeno ainda pouco explorado na literatura brasileira, apesar de sua crescente visibilidade. Nas últimas décadas, igrejas, seminários, faculdades confessionais e institutos teológicos passaram a ofertar cursos de psicanálise. Um levantamento preliminar identificou mais de vinte instituições religiosas que divulgam essa formação, suscitando questões epistemológicas, políticas e profissionais. À luz da Resolução CFP nº 7/2023, que reafirma a laicidade como princípio da Psicologia e veda a associação entre práticas psicológicas e doutrinas religiosas, esse fenômeno demanda investigação sistemática. Este projeto busca compreender como essas instituições estruturam seus cursos, quais conteúdos privilegiam, que identidade profissional projetam e quais racionalidades sustentam a aproximação entre psicanálise e religião. A hipótese é que realizam uma apropriação seletiva da psicanálise, incorporando conceitos compatíveis com suas doutrinas, excluindo aspectos conflitantes e reorganizando a formação para produzir modelos híbridos que reforçam autoridade pastoral e legitimidade institucional. A pesquisa será desenvolvida por meio de levantamento documental e análise de conteúdo. O corpus compreenderá sites, ementas, regulamentos, materiais de divulgação, documentos institucionais e, quando possível, entrevistas com coordenadores ou docentes. A análise será organizada em dois eixos: um horizontal, dedicado à descrição das ofertas formativas de cada instituição; e outro vertical, comparativo, confrontando esses modelos com parâmetros historicamente adotados por escolas e sociedades psicanalíticas reconhecidas. Espera-se contribuir para o debate sobre laicidade e regulação do cuidado, compreender a circulação da psicanálise fora de seus circuitos tradicionais e analisar as transformações contemporâneas nas relações entre religião, ciência e subjetividade, evidenciando como discursos psicanalíticos são apropriados e ressignificados em contextos religiosos.
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